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ISSN 2965-0000
cesufoz.edu.br
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PeriodicidadeAnual
AcessoAberto
Resumo Simples
CONSEQUÊNCIAS E EFEITOS ADVERSOS DO USO DA CLOROQUINA E HIDROXICLOROQUINA NO TRATAMENTO CONTRA A COVID-19: UMA ABORDAGEM FARMACOEPIDEMIOLÓGICA
Alana Feldkircher11
Andréia Arias Cordeiro22
Arianna Camila Dalmas Souza33
Wallace de Souza Andrade44
Fernando Augusto de Freitas5

RESUMO
A Covid-19 é uma doença respiratória causada pelo vírus SARS-COV-2 (coronavírus) que teve início na cidade de Wuhan (China) em 2019, quando o primeiro paciente foi hospitalizado em 12 de dezembro daquele ano. Dada a extensão do surto, em 11 de março de 2020 a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou o estado de pandemia. Este trabalho foi realizado por meio de revisão de literatura e tem como objetivo, abordar aspectos relacionados à prescrição equivocada de medicamentos utilizados no combate à doença COVID-19, com ênfase na hidroxicloroquina, cloroquina e/ou ivermectina, associados ou não a antibióticos. Desde que a infecção por coronavírus (COVID-19) tornou-se uma epidemia, iniciou-se uma intensa busca por uma terapia medicamentosa eficaz e, durante a pandemia, no Brasil houve um aumento significante da automedicação. Alguns medicamentos muito utilizados de forma descontrolada pela população e pela área médica, foram a cloroquina/hidroxicloroquina (indicados para malária) e a ivermectina (usado contra vermes, parasitas e ácaros). Cabe lembrar que é conhecida a ação inibitória de cloroquina (C) e seu derivado hidroxicloroquina (HC) in vitro na replicação de vírus que se fundem com o endossomo acidificado da célula hospedeira, pois previnem a acidificação do endossomo, entre outros mecanismos. Por esse motivo, tais substâncias foram estudadas para avaliar a eficácia no combate à COVID-19 in vivo. Inicialmente, o médico francês Didier Raoult, fez recomendações para o uso das drogas C/HC em vídeo lançado na internet e posteriormente, publicou em artigo científico os resultados de seus estudos referentes a avaliações abertas e não randomizadas. Ao contrário, no entanto, inúmeros artigos têm sido publicados a respeito da falta de eficácia comprovada ou efeitos colaterais pelo uso de tais drogas, em associação ou não com ivermectina e/ou antibióticos. Em um deles, os autores incluíram 2.314 contatos saudáveis assintomáticos (≥18 anos de idade) que tinham uma história recente de exposição por contato próximo a pacientes confirmados por PCR com Covid-19 e, ao final dos experimentos, não encontraram diferença estatística significativa entre o grupo que recebeu as drogas e o grupo placebo. Dentre tantos artigos contrários, destaca-se a publicação da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, da Sociedade Brasileira de Infectologia e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, que compilou estudos atualizados até 28 de abril de 2020 e constatou que não há segurança e efetividade comprovada que justifique o uso de hidroxicloroquina, cloroquina, azitromicina e lopinavir/ritonavir no tratamento da COVID-19. No entanto, apesar de não haver evidências científicas favoráveis, interesses políticos não atrelados à ciência indicam o uso destas substâncias em associação com azitromicina, ivermectina, nitazoxanida e outras, levando a população em uma busca desenfreada à procura do tratamento precoce para prevenção e cura. Além disso, o uso irracional desses fármacos de maneira experimental, vem trazendo números consideráveis de reações adversas graves, levando até mesmo à morte. Por fim, a análise dos artigos permitiu compreendermos a respeito do impacto negativo que pode ser causado na sociedade pela indicação do uso indiscriminado das drogas C/HC, tendo em vista a sua ineficiência e os seus efeitos colaterais adversos.
Palavras-chave: Cloroquina; Hidroxicloroquina; Tratamento precoce.

1 Discentes do Curso de Graduação de Farmacia
2 Discentes do Curso de Graduação de Farmacia
3 Discentes do Curso de Graduação de Farmacia
4 Discentes do Curso de Graduação de Farmacia
5 Docente e orientador do Curso de Graduação de Farmacia
Anais Eletrônico  |  CESUFOZ | FAFIG
Foz do Iguaçu – Paraná – Brasil